terça-feira, setembro 07, 2004

Tudo um ardor muito espiritual

As paredes estavam ornamentadas com estandartes cheios de sinais cabalísticos, grande desperdício de mochos e corujas, escaravelhos e íbis, e divindades orientais de proveniência incerta. Ao fundo havia um palco, com um proscénio de flamas ardentes em suportes de cepos grosseiros, tendo como fundo um altar com um retábulo triangular e duas estátuas de Ísis e Osíris. À volta, um anfiteatro de figuras de Anúbis, um retrato de Caliostro, uma múmia dourada formato Quéops, dois candelabros de cinco braços, um gongo sustentado por duas serpentes trepadoras, uma estante de coro sobre um pódio coberto de tecido estampado com hieróglifos, duas coroas, dois tripés, um pequeno sarcófago portátil, um trono, uma poltrona falsamente seiscentista, quatro cadeiras desirmanadas tipo banquinho do xerife de Nottingham, velas, velinhas, velonas, tudo um ardor muito espiritual.

Onde andará o meu Osíris?